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A filha do saco.

MC sentou-se ao lado do pai que jogava videogame e perguntou sem maiores rodeios:

– Pai – encarando-o com peculiar frieza e segurança própria dos 5 anos idade – o homem do saco existe!?

O pai que nem bem 5 minutos antes havia feito uso da clássica, inexorável e imortal alegoria do homem misterioso que carrega crianças rabugentas para local indeterminado para tentar controlar o acesso de fúria da pequena respondeu:

– Claro que existe!

A pequena sem a menor cerimônia apelou para as instâncias superiores:

-Mãe olha meu pai mentindo de novo – e sabedora da verdade por de trás do mito que assombrou tantas crianças em um passado não distante fuzila; dizendo que Homem do Saco não existe. E sem qualquer medo ou aflição completa:

Fala para ele que homem do saco é lenda!

A mãe sem sair do quarto endossa a natureza folclórica do mito:

– Fernando – grita enfática – não existe homem do saco!

A pequena então, com ares de vitória se volta para o pai e pergunta mais uma vez:

-Então pai vou perguntar mais uma vez: Homem do Saco existe!?

O pai não querendo perder a contenda responde cabisbaixo e dramático:

– Existe(…)

E aproveitando a pausa dramática faz a assustadora revelação:

-Eu sou o homem do saco!

Esperando talvez uma reação apavorada da filha deixa o silêncio em suspenso; MC encara o pai com uma mistura de desdém e ironia até que rompe o silêncio:

– Mãe! Meu pai disse que ele é o homem do saco!

E antes que a mãe pudesse explicar ou mesmo pensar sobre o assunto a pequena segue com o raciocínio que a leva a uma conclusão assombrosa; encarando o pai com um ar de quem ganha super poderes ou recebe uma herança, concluí:

-Então eu sou a filha do saco!?

(…)

Fernando Santos | Blogueiro
http://mceocotidiano.blogspot.com.br

afilhadosaco

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