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Minha filha não torce pro meu time. E agora?

Todo pai que torce pelo seu time, vibra, grita e chora, não vê a hora de uniformizar a pequena para os dias de jogos do time do coração.

Até aí, tranquilo, seguindo o curso normal.

A Lana desde que começou a andar já gostou de futebol, chutava bola, me chamava pra jogar e gritava gol. Pensei, ponto positivo para o início da Implementação Santista nesta cabecinha vazia, sem sentimentos futebolísticos. Era, Santos pra cá, Santos pra lá, beijava o símbolo do peixe, meu orgulho aumentando, sorriso no rosto do pai, algo inexplicável.

Neste momento começaria o grande embate, a mãe nunca ligou muito pra futebol, mas diz que é palmeirense. Eis que surge a sogra, ela fez jus ao título de sogra, veio com uns papos estranhos de verdão pra cá, verdão pra lá, porco e porco, pronto, o chiqueiro estava montado.

Lutei com todas as minhas forças, comecei a pregar a ordem Santista dentro do meu lar. Quando perguntava pra Lana qual era seu time ela gritava Santos. Mas quando a vó perguntava ela falava Palmeiras. E quando perguntávamos juntos, saía um SantosMeiras, PalmeiSantos, e engasgava.

Passado um tempo parei de lutar, deixei que ela escolhesse por conta própria seu time, assistindo um jogo do Santos, falei que era o peixe que tava jogando, ela me pergunta, e o Palmeiras tá ganhando? Tive que dizer a verdade e disse que tomou um baile da Ponte Preta, ela correu pro quarto e começou a chorar.

Dali em diante percebi que minha filha ia ser Palmeirense, e que sua vida como torcedora não ia ser fácil, mas nós como pais temos que ensinar o caminho feliz e se mesmo assim não quiserem seguir é um direito que eles têm, afinal todos somos livres.

Agora quando vamos jogar bola, ela diz que eu sou Santos e ela Palmeiras, mas que eu tenho que deixar ela ganhar, aí eu deixo, afinal é o único gostinho de vitória que ela vai ter com o Palmeiras.

Chegado o dia das crianças matutei, vou ser um pai bacana, vou aceitar que minha filha é palmeirense e vou presenteá-la com uma camisa do seu time. Falei bem assim.

– Filha o Pai já sabe o que vai te dar de Dia das Crianças, uma camisa do Palmeiras. Ela saiu correndo e gritando com lágrimas escorrendo dos olhos dizendo: “Não, não, eu quero brinquedo!”.

Pra me consolar, minha filha gosta mais de brinquedo do que de Palmeiras.

Mas ainda vou comprar essa camisa do Palmeiras, eu amo meu time, mas ensinar pra minha filha que nosso amor é muito maior que futebol é meu objetivo.

 

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Henrique Filho

28 anos, publicitário, amante de café, futebol, pacote adobe, pai da Lana e da Mariah